Vitória Maria 的个人资料Vitória Maria照片日志列表 工具 帮助
8月25日

Plutão

Desde que começaram os rumores sobre o rebaixamento de Plutão, para não planeta, ou planeta anão, uma dor nasceu em mim. Claro, não era uma dor dessas desesperadas. Era discreta, assim como Plutão, o menor e mais distante do Sol.

E fiquei alguns dias pensando sobre isso. Pensando como o homem é senhor de tudo, da natureza, do universo: um dia é planeta, no outro não mais. E votaram para decidir. É uma situação curiosa, cabe até um ensaio político. Mas, meu sentimentalismo sempre é mais forte.

Resolvi escrever para Plutão, aliás resolvi que para mim ele sempre será um planeta, um planeta que achei bonitinho e tomei carinho por ele quando, ainda menina, comecei a estudar o sistema solar. Afinal também sou um ser humano, e sou da parcela que não desconsiderou Plutão, acredito que não sou eu a única que se abalou com isso.

Mas, havia ainda um motivo maior, que subliminarmente estava em mim e não me dei conta. A origem do carinho por Plutão era já uma intuição. Hoje redescobri, procurando informações sobre ele, que simplesmente é o planeta regente do meu signo. Ora, leio sempre sobre meu signo, e não me dei conta disso. Obviamente a informação estava bem gravada em mim.

Agora a dor é maior. Ainda não sei o que dizem os astrólogos sobre isso, o fato é que estou sem regência. Será que nunca tive?

Sabe, é uma questão grave. Ainda não consigo expressar o que quero...

Porém, até aqui Plutão é o meu planeta.

 

Plutão: meu planeta

Plutão (mitologia)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Plutão, em Roma, era o nome do deus grego Hades, deus do submundo e também das riquezas. Irmão de Júpiter, Netuno, Ceres, Vesta e Juno, faz parte da primeira geração dos deuses olímpicos.

De acordo com a mitologia, quando os três filhos de Cibele e Saturno fizeram a partilha do universo, Netuno ficou com os mares, Júpiter tomou posse do Olímpo, e Plutão ficou conseqüentemente com os Infernos (também chamado por Hades).O deus governou o reino da morte sozinho. Isto é, até se apaixonar pela bela deusa Proserpina.

Embora o relacionamento entre os dois parecesse ter começado mal - (Plutão sequestrou a deusa, separando-a de sua família, deixando-a inconsolável) - sua união era calma e amorosa (ao contrário do casamento de seus irmãos Jupíter e Juno...).

Plutão, como já dito antes, é também o nome latino de Hades, o deus grego do mundo dos mortos, representando o seu aspecto benfazejo, que presidia as riquezas agrícolas. Hades era tão temido que ninguém ousava pronunciar seu nome, e quando era para se referir à ele, usavam outras definições. Dentre muitas, a mais conhecida é Plutão.

Por bastante tempo, o apelido substituiu o verdadeiro nome de Hades, dando origem ao deus romano

8月14日

Renan

Hoje é aniversário de Renan.

Renan é meu irmão. Renan é meu amigo. Renan é meu companheiro.

Ele é muito para mim.

Como nossa família é grande, 12 irmãos, tivemos uma dinâmica de relacionamento muito diversa, pelas idades diferentes, pelos interesses diferentes. Mas, temos uma unidade especial o grupo de 4 mais novos, sem contar Vivi que chegou bem depois: Renan, Raniere, eu e Waleska.

Primeiro fui mais próxima de Raniere, imune aos apelos de Waleska. Com Raniere era uma vida de mais molecagem, aventuras e rotinas de adolescentes. Depois me distanciei de Raniere e me aproximei mais de Renan, que sempre foi mais reservado, mais refinado. Então Renan passou a ser meu mestre: na poesia, na literatura, na música, na vida.

Com Renan dividi os momentos mais importantes de minha vida, tanto os alegres como os dolorosos. A palavra dele para mim sempre veio como uma ordem, não no sentido imperativo que uma ordem possa ter,e sim no sentido de ordem de amor e sensatez. Simplesmente escutava e não questionava (embora ele relute em afirmar que eu não o escuto nunca, isso eu só consegui um pouco depois dos 30).

Temos em comunhão uma gama de sentimentos. Ele é um ser que me inspira. Digo sempre que seu único defeito é ser meu irmão! Já me disseram que sou a versão feminina dele, coisa que me enche de orgulho, embora não seja verdade, infelizmente.

Renan é forte, é criativo, é sensível, sabe ser duro, é persistente, tem um humor diferente, as vezes bem ácido, enfim é um ser bem especial.

Ah, falando nele me chegam tantas lembraças boas que temos!!

Tenho sempre muito para falar dele, para falar de nós, mas hoje quero somente desejar muito, como se em minhas mãos tivesse uma lâmpada mágica e um único desejo a pedir: pediria sua vida com tudo que você sonha e é e quer meu companheiro Renan!

Te amo muito!!

Parabéns sempre!

 

6月4日

Preciso Me Encontrar

Preciso Me Encontrar

 

Composição: Cartola

Deixe-me ir, preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas do rio correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar

4月16日

BROTHER

BROTHER

 

Tudo é muito simples quando se gosta.

Como na canção: é só olhar, depois sorrir, depois gostar...

E nessa simplicidade, é como se captássemos em segundos a profundidade de um ser.

Me sinto irmã. Irmã nas dores que desconheço, porém sinto.

Irmã na alegria que batuca.

Irmã no samba que cantamos e dançamos.

Irmã na ternura.

Irmã no primeiro olhar que foi e é de amor.

Irmã na fraternidade oculta de gerações passadas.

E dizemos tantas coisas sem falar.

E falamos tantas coisas sem dizer.

E daqui cuido e pergunto próxima que estou, distância que o mapa fez. E eu, teimosa que sou desfaço.

Ele me elegeu como musa.

Eu o elegi como irmão.

É claro, é nítido e transparente: eu amo você Brother!!!!

 

 

Vitória Maria Barbosa

4月14日

Festa da vida: Dihs chegou!!!!

Não faz muito tempo.

Num mesmo instante no mundo inteiro aconteceu o seguinte:

Um beija-flor sugou o néctar da flor azul;

Todos os tambores ruflaram;

As roupas no varal dançaram;

A estrela cadente ascendeu;

A lua teve arco-íris;

O sol brilhou mais que o sol;

O dia e a noite se encontraram;

O mar apareceu onde não tinha praia;

Em todos os rios o ouro luziu;

No céu nuvens de borboletas coloridas;

No ar o cheiro de todas as rosas;

Girassóis se voltaram para a lua;

Damas- da- noite abriram-se de dia;

Sorrisos brotaram em todos os lábios;

O vento abraçou todo mundo;

E foi tanta alegria;

E não foi a valsinha brasileira;

Nem a banda que passou;

Foi uma vida que nasceu

Encantada

Brilhante

Espuma de diamante

E foram todos os reis que anunciaram, e princesas e rainhas,  em forma de canção:

 

 

Ela chegou:

 

 

Edith!!!!!!

 

E esse dia todo mundo comemora

A alegria demora

A festa se faz

e ela: cada vez mais!!!

 

 

 PARABÉNS DITHS

 

 

4月10日

FUIIII!!!!!

Vixe que amor envenado
Bruto e egoísta
Tão sociológico e capitalista
Ah! não! Para mim o amor é vão
Ama-se somente por amar
Não se compra com gracinhas
Não se vende por bugingangas
Não tem lógica de mercado
Não tem garantias
Amor escravo quero não
Amor vingativo se chama estupidez
Quero alegria dos ventos
Quero amor sem tormentos
Quero amar meus amigos
Quero amar as pessoas
Não quero visgo de amor que gruda
Não quero regras de amor que se inventa
Isso me repele
Me engole
Engolida quero ser vomitada
Ser livre mesmo se viro resto
Me arrepia de horror tudo
que quer me aprisionar
Eu só quero amar
Dá vontade é de correr
Se escafeder
Coisa feia
Coisa triste
O verdadeiro amor é vão
Que espinho tão ferino
Arde até no espinhaço
Na espinha dorsal
Na espinha que se entala na goela
Sou lá objeto!
Sou lá miragem!
Sou lá flor bela!
Sou eu só e nem sei quem sou
Sei que sou
Quer cobrança? vá ser cobrador!
Quer mercadoria? vá ser vendendor!
Quer contemplar? vá olhar pro mar!
Me larga
Me deixa
Me solta
Desgruda
Despluga
Tenho carta de alforria
Fui eu mesma que assinei
E ela tem poder de Rei
Acredito não que isso seja amor
Parece mais uma doença
Parece mais um monstro
Pense numa disparada
Pense num pinote
Pense numa carreira desabalada
Abra os olhos e veja meu bem:
FUIIIII!!!!!!!!!
 
 
Vitória Maria Barbosa
 

Quero Saber!

É assim:
Lançada ao mundo fui
Num país que não conheço
Num Estado que mereço
Numa cidade que se diz grande
Numa família que amo
Numa vida que percorro
Com flecha tacape
E as armas que encontrar
Já vivi muitos horrores
Ainda tenho temores
Já vivi muitas maravilhas
E sei, ainda me resta trilha
Nessa mata vida procuro
Algo que ainda é miragem
Pode ser lenda também
: procuro o amor
Nessa busca preciso amar
Assim penso em encontrar
E já sou forte para sempre seguir
Porque na mata tem saci, curupira, barulhos e armadilhas
Mas sou forte para seguir
Preciso só de um sinal
Se já é hora de ir
As vezes paro para desacreditar
Penso destruir a mata e concreto nela botar
Aí escuto sons cantando
Dizendo para eu acordar
E sigo sigo
Obstinada ou louca
Então tenha compaixão
Me avise se você for assombração
Ou mais uma ilusão!!!
 
Vitória Maria Barbosa
4月8日

Abraço

Abraço circula abriga
Abraço que acalma
Abraço que inflama
Abraço que fala a língua do abraço
Língua mais forte que todas as línguas do universo
Abraço universo
Abraço seu meu meu seu nosso
Saudades...
Abraço para sempre abraço
 
Vitória Maria Barbosa
4月4日

Coisas Lindrias de Deus

Estive em Brasília.
Foram 8 dias.
Foi uma vida.
A alegria simples, a alegria brincante, solta, livre!
Ao lado de duas coisas lindrias de Deus: Wal e Diths!
Duas amigas, duas irmãs, dois sorrisos plenos!
Dias abençoados de amor.
Diths, a Rosinha da Pipira, a fofolete a mulé menina, o broto displicente;
Wal, a morena do Grotão, a Waleskabala, que abala que requebra;
As duas: explosão total de folia, orgia, vandalismo: eita que foi bom demais, DEMAIS
UM RAMALHETE DE LUZ PROCÊS COISAS LINDRIAS DE DEUS!!!
AMO-AS!!!
3月20日

Para nunca ser lido (ou: tô com a bexiga!)

Para nunca ser lido  (ou: tô com a bexiga!!)(20/03/2006)

(Mentira)

 

Que horror.

Sinto isso e aflição.

Ignorada, sei lá.

Sei que não gosto.

E tenho que ignorar.

Ignorar meu orgulho ferido, a falta sentida, a vontade tragada, as palavras abafadas.

Esse troço off-on, ao mesmo tempo, on-off.

Ai, me tragam logo uma orloff

Beber e me libertar

Gritar e xingar

Olhe não me mexam

Que sou como a maliça

Sensível

E me fecho

Ae não tem volta

É natureza de escorpião

Olhem, não me aticem

Não me procurem e depois desprezem

Que de Maria Bonita acho bonita a brabeza

Que corta orelha de quem afronta

E fico louca pra esfolar um

Arrancar as tripa fora

Os bofe

(Já tomei meu engov)

Tão pensando que sou pra brincadeira?

Pois sou!

Mas só brinco de vera

Tem que saber brincar

Sou mansa

Mas não estou morta

Não estou morta por isso cuidado

Se não pula a corda eu pego ela pra forca

Pego pelo pescoço feito pega galinha pra sangrar

(ai, nunca teria coragem de matar uma galinha) mas, já posso ter matado alguém...

Não pisa na linha

É amarelinha

Pula

Pula

E não me alcança

Não provoca e escapa

Entro em labirinto

E se esconde- esconde bem

Se acho não tem saída

E de menina meiga

Viro moleque sem vergonha

Quero cuspir na cara de quem me faz sentir assim

Sem educação fico

Grossa

Sem berço e com beiço

Bicudo e com língua de fora

To com a bexiga lixa

Com a bexiga taboca

Com a bexiga de soprar

To assim a ponto de estourar

Tudo isso por um colo

Uma atenção

Um aperto de mão

Ah, não me falte!!

On the road

On the life

On line

 

" Apenas a Matéria vida era tão fina..."

apenas a matéria vida era tão fina”

 

Delicadeza.

Palavra que amo.

Necessária.

Rara.

Leve.

Intensa.

Um sopro.

Uma nuvem.

Suavidade.

Brancura.

Azuleza.

Verdeza.

Delicadeza.

Se a ignorância pudesse se rompida, suprimida, em seu lugar: delicadeza.

Se a violência sumisse, escapasse, esquecida fosse, em seu lugar: delicadeza.

Se o grito se abafasse, em mil sintonias se transformasse, em seu lugar: delicadeza.

E a vida breve rara volátil pulsátil dela se enchesse, rodopiasse, brincasse: delicadeza.

Matéria fina.

Matéria frágil.

Matéria perfeita, dura densa.

Delicadeza.

Viva venha esteja : delicadeza.

 

 

3月19日

O Verdadeiro amor é vão

Insistem. Sempre insistem as palavras.

Em sair. São sentimentos.

Se materializam em palavras. Dadas, claras, escuras.

Não escolhem hora. Desavisadas, atrevidas, impertinentes.

Não cabem.

Me escapam. E eu escapo.

Escapo nelas, escapo através delas.

Apareço e sumo.

Sumo nas pessoas.

Afasto-as.

Não me faço entender.

Mas sou eu.

Sou em cada micro detalhe da vida.

Amo e amo amor que não é amor. Aquele quadrado.

Amo e guardo em cofre. Cofre protegido com laços de nuvens.

Amo e agora violentamente amo.

E sei, e concordo com o que diz a canção: o verdadeiro amor é vão.

É vão na largura;

É vão na imensidão;

É vão na liberdade;

É vão no vazio, no oco;

É vão no que tem de mágica e fantasia;

Vão no que tem de fútil, frívolo;

É vão porque ufanoso;

Vão porque falso, enganador, enganoso, ilusório, ilusivo;

Vão porque inútil, baldado, frustrado;

Vão de vácuo;

Vão porque é intervalo, porque é espaço vazio entre dois pontos;

 

Vão porque Sertão alto, descampado;

 

Vão de depenhadeiro, vale profundo, depressão.

Vão livre:medido entre as faces de apoios consecutivos.

Vão teórico: o que é medido entre os eixos de apoios consecutivos.

Em vão: debalde, embalde, inutilmente.

Tem tudo isso no dicionário.

Vivi tudo isso no meu caminho labirinto reta incerta deserto floresta plano despenhadeiro precipício asfalto.

E vivo agora ira aflita amorosa.

Vivo agora agonia de ser larga e não me caber.

Vivo agora prenha de maravilhas que não consigo dividir.

Vivo agora o retorno para meu mundo imenso universo só meu.

Porque se dele saio não sei viver.

Porque se dele saio ninguém consigo levar, e volto ainda mais rica e mais pobre. Porque dentro de mim as pessoas estão/irão. Elas não. Não fico nelas. Não permitem.

E agora grito, porque o amor é vão.

O verdadeiro amor é vão.

E eu amo.

Verdadeiramente amo.

Vão!!!. (mas sempre estarão)

 

 

 

 

3月1日

Onde estará o meu amor?

Onde estará o meu amor?

(Chico César)

Como esta noite findará
E o sol então rebrilhará
Estou pensando em você
Onde estará o meu amor?
Será que vela como eu?
Será que chama como eu?
Será que pergunta por mim?
Onde estará o meu amor?
Se a voz da noite responder
Onde estou eu, onde está você
Estamos cá dentro de nós
Sós...
Onde estará o meu amor?
Se a voz da noite silenciar
Raio de sol vai me levar
Raio de sol vai lhe trazer
Onde estará o meu amor?

2月17日

TUDO O QUE TENHO É MEU

 

 

TUDO O QUE TENHO É MEU

 

Aquilo que o meu olhar alcança

O que os meus sentidos absorvem

O que habita em minha alma:

Tudo o que tenho é meu.

Aquilo que o meu desejo quiser

O que minha imaginação brincante pedir

Não é mágica: tudo o que tenho é meu.

A flor que fotografei, eternizei-a: ela é minha.

Nada é impossível no possível do meu impossível.

Ao meu tudo sou fiel, até o fim sem final.

Relicário, simulacro, mumificação de sentimentos.

Guardados, cuidados. Para sempre meus.

No meu universo verso amplo infindo

Sou Rainha soberana déspota tirana

Sou Rainha benevolente piedosa

Impiedosa.

Reino meu reino

Coroa e cetro

Reino

Meu reino

Terras do além sem fim

Terras do nunca nunca

Terras dos mortos vivos

Vivos mortos

Tudo o que é tenho é meu.

2月15日

Desenho de ilusão

Desenho de ilusão

 

 

Algo se inscreve e não sei escrever

Ilusão que se rascunha

Medo que se desenha

Um grito que se abafa

O que quero dizer?

Um grão de areia

O vento

E mais um e mais outro

Duna

Deserto

Incerto

E que fazer se só sei arder?
2月12日

O que dizem seus olhos...

 

Eu tinha quatro anos quando ela chegou.

Não posso dizer que gostei. Sei apenas que não entendi.

Me diziam rindo: “ você ficou no canto”. Também não entendia a expressão e, inocentemente me sentava no cantinho do sofá.

Sei também, que era um serzinho pequeno e muito lindo. Então, até aqui, nesta parte da história, o que sabia sobre meus quatro anos /sentimentos em formação era: não entendia, sentia ciúmes, estava no canto, porém, encantada com a coisinha pequena.

Crescemos e eu fiz questão de ficar no meu canto. Não dava chances para ela não!

Valéria pegou logo ela como filha.

Fiquei no meu canto e ela ficou entregue aos mimos de toda a família.

Crescemos mais. Muitas diferenças. Logo cedo era queria batom (e vermelho), coisa que eu recusava, mesmo com as insistências de minha mãe. Logo cedo ela queria roupas que não eram de criança, queria festas: queria tudo. E gritava, esperneava, exigia. E eu no meu canto...

Não dava chances para ela.

Crescemos mais. Ela sempre dava chances para mim.

A danadinha foi lá e me tirou do meu canto. Nos encontramos.

Ah... pense numa festa!!! Então foi batom, foram festas, foi TUDO!

É tudo.

E escrever um tantinho dessa história minha/dela, me faz mergulhar num mar imenso infinito de lembranças nossas... tudo compartilhado, estranhamente compartilhado, amorosa completamente compartilhado.

Hoje somos mulheres, amigas, irmãs, almas gêmeas às avessas. Temos códigos secretos, nos comunicamos em sonhos e em pensamentos. Fazemos folia com os nossos desentendimentos, orgias com os entendimentos, altares, templos, rituais, para nossas alegrias e dores. Consagramos o nosso encontro e de joelhos agradecemos por possuirmos tão nosso tesouro. Tesouro secreto sagrado, tesouro aberto compartilhado.

Somos o oráculo uma da outra.

E ela apenas. Apenas é maravilhosa.

Inteligente, alegre, carnavalesca, wandalesca...

E os olhos da morena anjo jambo deusa? Lentes precisas do preciso. Escandalosas lentes por fora dentro. Lentes que rodam feito olhos de camaleão e desse giro capta o universo, pelo ângulo que quiser, pelo ângulo que vier. E distribui belezas, encantos...

E tudo é pouco, tudo é grande, tudo é mais.

“ ah se eu pudesse entender o que dizem seus olhos..”

E eu entendo. Quem está do seu lado entende. E quem está longe? Ah, garanto, não fica no canto não!!! (só no canto do encanto, porque ela também canta!!!)

Amo-te gata minha Wal!!!

2月9日

Maria, Maria...MARIAS

Maria, Maria...MARIAS

 

Já nem sei os anos exatamente. Mais de 20. É certo.

Vânia, minha irmã mais velha, vai fazer o último ano de seu curso, em São Paulo.mamãe vai deixá-la e nos avisa: “ vou trazer uma surpresa para vocês”.

Nós, os mais novos, eu, Renan, Raniere e Waleska passamos noites e dias de suspense infantil, afinal, o que seria? Por mais que não nos faltasse imaginação, não conseguíamos intuir o que nossa mãe nos traria. A única pista: era: uma surpresa.

Surpresa é sempre palavra mágica para qualquer ser humano, imagine então para nós, tendo uma mãe como a nossa !!!

Os dias passavam, nossa ansiedade não.

As horas não corriam e nós queríamos que elas corressem.

Chega o dia, afinal, todo dia é dia de Maria.

Ou será de Marias?...

A surpresa chegou, cumpriu sua missão: ficamos surpresos!! Talvez estupefatos (só que ainda não conhecíamos esta palavra).

Queixos caídos, olhos arregalados... surpresos com a surpresa.

Era uma surpresa viva.

Era uma surpresa já de certa idade.

Era uma surpresa que sorria.

Era uma surpresa que tinha uma linguagem que ainda não era a nossa.

Era Maria.

Com roupa de brim cinza, cabelos brancos e sorriso que se sobressaía em tantas rugas de um tempo...

Quem era Maria?

Era tia de Maria, nossa mãe.

Sua bagagem; um saquinho cheio de comprimidos.

De onde vinha?

Que tempo teria sido o seu?

Muitas perguntas todos tinham. Poucas e duras respostas.

Maria Marques vinha do “Juqueri”, o maior hospital psiquiátrico de São Paulo. Viveu lá durante 25 anos.

25 anos.

Nunca soubemos de sua existência, assim como a maior parte da família.

Maria nossa mãe, um dia foi lá e visitou-a, ela reconheceu a sobrinha e pediu: “me tira daqui bem”. Maria e seu sagrado coração ali mesmo - naquele depósito de humanos, largados na solidão, tendo por companhia vômitos, piolhos e sarna - fez uma promessa: “assim que puder tiro você daqui.”

E tirou.

E trouxe.

E não perguntou a ninguém nem ao meu pai se poderia fazer isto.

Nem precisava.

Maria Marques logo nos cativou. Logo nos impregnou com sua linguagem própria. Logo ficamos chamando-a de “benzinho”, como também ela nos chamava.

A surpresa viva nos ensinou tanto: que existe abandono, que existe covardia, que existe esquecimento. Que este mesmo abandono covardia esquecimento pode ser transmutado, transcrito, reescrito. Enfrentado, acolhido.

Certamente, Maria Marques não esqueceu sua juventude roubada, seqüestrada para um porão das misérias do existir...

Sabíamos todos que agora era seguir.

E ela nos presenteou com muitas graças, maluquices, esquisitices, mudou nossos nomes, nos batizou como quis, pra ela sou Izabel, papai é Sr. Pitu (isso ele não aceita até hoje!!!), Roberto é Liberaldino e assim vai!

Dormiu no meu quarto nas primeiras noites. Sim, tive medo. Passou.

Maria Barbosa e Maria Marques nos ensinaram o mais básico de todos os ensinamentos: somos iguais, mesmo sendo diferentes. Não há separação. Mesma origem, mesmo final, e no meio da origem e do final somos encontros, luzes. Luzes que transmitem luzes para luzes que foram ofuscadas.

Luz de astro, luz de jóia: riqueza pura!!

E assim, mais uma Maria é nossa!!!

 

 

 

 

 

2月6日

Hoje é dia de Marias

18/11/2005

Hoje é dia de Marias

Minha homenagem a lindas e amadas mulheres da minha vida: mamãe e mana Vitória

 

Hoje é dia de Maria.

E de Vitória.

E da Vitória de Maria.

Hoje é dia histórico para Campina Grande. E para a Paraíba. E, quando a passagem da história se fizer História do passado será, também, para o Brasil.

Há 33 anos uma mulher que nascera de uma família de agricultores, que pouco conseguiu estudar, que era, até então, mãe e esposa – tornava-se vereadora.

E como a ratificar a condição de mulher – a mesma que lhe colocara na Câmara de Vereadores de Campina Grande – ela soube do resultado do pleito deitada na cama de uma maternidade.

Maria Lopes Barbosa dava à luz, no dia 18 de novembro de 1972, a uma menina que recebeu um nome que veio do povo. Como do povo vieram os votos que sua mãe havia recebido.

Uma multidão foi à porta do hospital. Queria fazer uma exigência: o bebê deveria se chamar Vitória Maria Barbosa.

E assim é ela. Uma filha que recebeu um dos mais belos legados da família: marcar com vida a nova vida que sua jovem mãe passaria a ter dali para frente. Uma mãe que recebeu a missão de unir à sua, milhares de outras famílias como pessoa pública que se transformou.

Maria-guerreira. Não viu tréguas no trabalho, mas com força e criatividade incomuns iluminou todas as trevas que irromperam na caminhada.

O resultado das urnas, o resultado do parto foram fatos registrados com efusão pelos jornais da época e, até hoje, correm de boca em boca na cidade. É comum que todas nós, as outras mulheres, as outras filhas, sejamos abordadas nas ruas. Todas já ouvimos a pergunta: “Você é Vitória”?

Não somos Vitória.

Mas somos todas vitoriosas, todos vitoriosos por termos Maria como mãe. Nosso pai, Manoel, certamente emendaria dizendo: “E como esposa”. É claro! Por termos Vitória Maria como irmã, amiga, luz.

A recém-nascida das páginas descoloridas dos jornais da época virou mulher, virou mãe. E colore com tinta arco-íris todas as páginas da vida – dela, de João Victor, seu filho, de nós todos.

O dia 18 de novembro será sempre aniversário de duas Marias.

Hoje é dia de Marias.

Hoje é dia de rememorar, de comemorar, de nunca deixar esquecer as vitórias.


Escrito por Waleska Barbosa às 10h27
2月5日

MEU CORAÇÃO VAGABUNDO

MEU CORAÇÃO VAGABUNDO

QUER GUARDAR O MUNDO EM MIM

 

 

A elegância esquálida das paulistas.

A irreverência despojada das cariocas.

A nuvem em forma de ovelha.

A minha barriga crescendo por nove meses.

A sensação esquisita do primeiro beijo.

A sensação dolorosa e saudosa

do último beijo.

A primeira embriaguez.

A primeira gravidez.

A mão do meu pai na

minha mão.

A minha mão brincando

com a orelhinha mole de

minha avó.

As mãos de minha mãe

batendo em mim.

Minhas mãos procurando a

morte.

A alegria de passar no

vestibular.

A vergonha de ter seios

crescidos.

O orgulho de ter seios

tocados.

A primeira dança a dois.

A neve que nunca vi.

A Mata Atlântica que

vi.

O seu silêncio que ouvi.

O adeus que não lhe dei.

O adeus que nunca concluí.

Os anos 20 que não vivi.

O violão que tentei tocar.

A flauta que tentei tocar.

Sua música que não soube

escutar.

As manhãs que amei.

As tardes que amei.

As noites que amei.

As madrugadas que amei.

Os dias que não vivi.

O cheque que roubei.

As ilusões que me iludiram.

As canções que me mentiram.

Os cigarros que fumei.

Os cheques que voltaram.

O emprego que perdi.

O emprego que conquistei.

O emprego que larguei.

As noites que não dormi.

O medo de dormir.

O medo de amar.

O medo de viver.

Os precipícios que pulei.

As seqüelas que herdei.

Todos os lábios que beijei.

Os poucos corpos a que me entreguei.

As mentiras que menti.

As dores que senti.

As infinitas lágrimas que chorei.

Meu coração vagabundo quer

guardar o mundo em mim.

As viagens que fiz sem viajar.

Os amores que amei sem

amar.

As amizades que ganhei.

A minha vida.

Os meus sorrisos.

Os sorrisos que ganhei.

As injúrias que sofri.

Tudo que cabe em mim.

A alegria insustentável.

A tristeza insustentável.

A primeira vez que meu

filho encontrou meu seio.

A última vez que meu

filho sugou o meu seio.

Primeiras vezes.

Últimas vezes.

Primeiras emoções.

Últimas emoções que não

serão últimas.

Nina nos seus braços.

Binu nos seus braços.

Reds na estrada.

Vômitos rolando no asfalto.

Devaneios no quintal.

Sorriso da Mama.

Poemas paridos sem fecundação.

Viagens sem rumo.

Viagens ao infinito.

Bailinhos no interior.

Meu coração vagabundo quer

guardar o mundo em

mim.

E eu guardo.

É o que sei.

Eu e o mundo.

O mundo e eu.

A loucura.

A solidão.

O abandono.

A miséria.

A tragédia.

O existir.

Eu e o mundo.

O mundo e eu.

Eu e meu coração

vagabundo.

Meu coração vagabundo

e eu.

Muitas imagens.

Imagens felizes.

Imagens infelizes.

Imagens alegres.

Imagens desalegres.

Fantasias muitas.

Devaneios muitos.

O céu.

O sol.

A lua.

O vento.

As variações.

Pesadelos.

Sonhos.

Palavras.

Palavras.

Palavras e meu coração.

Palavras e meu corpo.

Palavras e minha alma.

Meu rosto no espelho.

Meu rosto mudando no espelho.

Meu rosto; o mesmo no

espelho.

Minha mãe que já foi medo.

Minha mãe que é amor.

O mundo que não me basta.

O amor que não encontro.

O tudo que é nada.

Meu coração.

Meu desejo.

Meus desejos.

O que não sei de mim.

O que não perdoei em mim.

O que não suporto em mim.

Os sorrisos que dei.

Os sorrisos que matei.

Os sorrisos que escutei.

O seu sorriso que guardei.

Tanta emoção.

Tanta emoção.

Como suportar?

A voz do meu irmão.

O olhar da minha irmã.

O grito que não dei.

Os gritos que levei.

Meu coração.

Meu coração vagabundo.

Meus temores.

Meus segredos.

Minha tirania.

A estrada.

As estradas.

A noite com sol.

Canções eternas.

Meu coração / teu

coração.

Minha paciência.

Minha urgência.

Minha ira.

Minha maldade.

Minha frieza.

Minha fragilidade.

Meu coração.

Minha cara de palhaço.

Meu palhaço no espelho.

Meu coração vagabundo.

Meu coração palhaço.

Meu coração inocente.

Minhas interrogações

? Por que o amor acaba

Vitória Maria Barbosa